Recebi há pouco o comentário de um brasileiro no post sobre as minas terrestres em Angola.
Transcrevo abaixo para que cada um tire suas conclusões.
E faço minhas observações na sequência.
COMENTÁRIO DO Rafael Ferreira,
“Cara, eu não lhe conheço mas mesmo sem lhe conhecer posso dizer que você aparenta ser uma pessoa um tanto chata e peconceituosa.
Sou brasileiro, me interesso bastante pela África e começei a seguir o teu blog a partir de outros bastante interessantes que falam deste continente.
Em todos aqueles ví críticas quando necessário, ví elogios quando cabia mas acima de tudo não ví nenhum tipo de generalização boba e infantil como as que normalmente você faz.
Você realmente não percebe que tais comentários são mais do que naturais para uma população com um passado bastante recente com tensões com outros países, principalmente a colonia?
Certamente o nível educacional de Angola não é tão "elevado" e isto não tornaria tais comentários mais visíveis?
Tenho certeza absoluta que comentários tão bobos podem ser encontrados nos EUA, na Inglaterra ou em qualquer outro país desenvolvido, mas com certeza em menor escala.
Quando começei a seguir seus posts achei que tantas críticas seriam passageiras, mas elas não acabam nunca ... se eu fosse angolano estaria realmente chateado com você.
Por fim, se ai é tão ruim volta pro Brasil rapaz!
Tenho certeza que você é competente o suficiente para se estabelecer aqui e tenho mais certeza ainda que haverá alguém que, apesar das dificuldades e problemas, se encantará por este país.
Provavelmente eu também me tornei chato e preconceituoso ao te comentar mas eu tinha que falar isto. Admiro todos os blogueiros que sigo mas infelizmente isso não ocorreu contigo ...”
Agora, a minha resposta:
Caro Rafael,
Obrigado pelos comentários.
Faltou você dizer se já esteve em Angola para eu avaliar melhor o que você escreveu.
É muito fácil se encantar ou não por um lugar apenas pela leitura do que os outros escrevem.
Tampouco sei quais blogs sobre Angola você anda lendo.
Mas a maioria dos blogs que relatam maravilhas de Angola são escritos por pessoas que não vivem mais aqui (e que quando aqui estavam reclamavam muito).
Muitos, de fato, gostaram bastante de Luanda e têm vontade de voltar.
Mas são pessoas que viviam nas chamadas "bolhas" criadas pelas empresas.
Tinham carro, motorista, não precisavam encontrar um encanador nem eletricista.
Enfim, não viviam na Angola real.
Os blogs dos angolanos são ainda mais críticos do que este diário.
Pegam pesado em relação à corrupção no país.
Talvez seja interessante você dar uma olhada neles.
Vários estão listados aí na parte direita do diário, na relação de sítios que valem a pena.
Discordo da sua afirmação de que eu faça generalizações em relação a Angola.
Trabalho com muitos angolanos.
Torço e dou minha contribuição para que eles melhorem, mas não vou abrir mão do direito de reclamar quando vejo coisas erradas.
Gostaria que você citasse exemplos de "generalizações bobas e infantis".
Conheço bem os problemas de Angola.
Conheço a história de Angola.
Pessoas que trabalham comigo ficaram aleijadas e perderam familiares na guerra.
Sei das tensões com Portugal, do ódio aos estrangeiros.
Sei de tudo isso.
E não apenas de ler nos livros ou nos jornais.
Eu vivo a realidade de Angola.
Mas como mencionei antes, também tento ajudar.
Na minha área, eu poderia contratar uma empresa estrangeira para realizar alguns serviços.
Mas quando é possível, dou preferência para um trabalhador angolano.
Em vez de dar dinheiro para uma multinacional que vai remeter os ganhos para o exterior, prefiro fazer uma transferência direta de renda para o angolano que vive e consome aqui.
Minhas críticas não serão passageiras.
Existirão enquanto eu viver aqui e enquanto as situações que merecem ser criticadas continuarem a existir.
Não sei quais críticas você considera bobas e infantis.
Seria sobre a vergonha que é a corrupção no aeroporto, a vergonha dos achaques feitos pela polícia?
Ou sobre o hábito de estacionarem na porta da garagem dos outros?
É que a guerra...ah, a guerra!
A guerra é sempre um bom argumento.
Protege os medíocres, os corruptos e pune, mais uma vez, os que tentam avançar.
Esse seu comentário de que tem "certeza que sou competente o suficiente para me estabelecer" no Brasil também carece de qualquer tipo de fundamento.
É o comentário que os xenófobos (angolanos ou não) mais gostam de fazer.
Eu não vim para Angola por causa da minha falta de competência.
Foi exatamente o contrário.
Assim como todos os profissionais estrangeiros que conheço aqui.
Acho pouco provável que uma empresa angolana ou estrangeira esteja disposta a assumir os gastos altíssimos de trazer um profissional incompetente para cá.
O país precisa crescer.
Precisa de quadros, de quadros competentes.
Acusar os estrangeiros que aqui estão de incompetentes é o esporte preferido dos incompetentes e xenófobos locais.
Quando não gostam de algo, dizem que os estrangeiros que estão aqui são os incompetentes, que não conseguiram emprego nos seus países de origem e por isso vieram para cá.
É de uma primariedade lamentável achar isso.
É supor que Angola está trazendo para cá os trabalhadores incompetentes dos outros países.
É supor que os trabalhadores incompetentes, que não conseguiram se colocar nos seus mercados de origem, são melhores do que os angolanos.
Isso sim é papo de xenófobo e preconceituoso.
Isso sim é zombar da inteligência dos angolanos.
É um direito seu admirar ou deixar de admirar o blog que quiser.
Mais uma vez, obrigado pela presença.
Apareça sempre que quiser.